quinta-feira, 15 de maio de 2008

São Paulo muito concreto e pouco verde



Há anos observo como a cidade cresce, como bairros são remodelados, como o sistema de transporte é remodelado, avenidas, pontes e novas ruas são construídas, favelas verticalizadas, mas também observo que há muito não surgem novas praças e áreas verdes na cidade. Lembro-me da ultima inauguração de praça que presenciei, acho que tinha uns 5 anos, minha mãe me levou para ver o então prefeito Mario Covas e o candidato a prefeito Fernando Henrique Cardoso inaugurando um conjunto de 3 praças na Vila Ida, foi a Praça Eng. Norivaldo Pêra Geral, nome que confesso só soube agora após consultar o Google Maps, bom desde aquela inauguração acho que nunca mais vi nada parecido em Sampa. Mesmo quando morei na Granja Viana em Cotia na Grande São Paulo, vi que mesmo lá região que prega a "qualidade de vida" há muito poucas praças e áreas verdes urbanizadas (desconsidero mato). Infelizmente já ouvi que em São Paulo há muita gente que considera as praças e áreas verdes desnecessárias, pois hoje em dia as pessoas não freqüentam mais esse tipo de espaço, isso por causa da violência, e além do mais a tendência é que cada vez mais as pessoas vivam em condomínios fechados e freqüentem os grandes Shoppings Centers. Eu acho tudo isso triste e mesmo uma grande besteira, pois basta ver outras cidades do mundo, todas se revitalizando com boulevards, praças, muitos espaços verdes, isso na verdade atrai mais pessoas e afasta a violência. Quem freqüenta esses lugares são famílias, namorados, casais jovens e idosos. O oposto acontece em torno dos condomínios fechados, onde há apenas grandes muros que fazem do entorno a esses empreendimentos lugares muito pouco convidativos. Tenho pena de São Paulo largada ao interesse das imobiliárias e construtoras que querem aproveitar cada centímetro quadrado para construir novos edifícios sem se preocupar com a qualidade de vida de quem for trabalhar ou morar lá. Na Rua do Rocio hoje há um enorme muro de um novo conjunto de edifícios, esse muro tornou a rua mais feia, talvez até mais perigosa e a própria rua, que é estreita, já não da vazão a todos os carros que passam e passarão por lá, e que hão de aumentar a cada novo prédio inaugurado na região.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Impressões sobre Santiago




Tenho visitado Santiago desde que era criança, é uma cidade com a qual tenho uma estreita ligação, parte de minha Família vive lá. Porém nunca fui um profundo conhecedor da Cidade, sempre me limitei a ir onde me levavam ou onde precisava ir, e só agora tive a oportunidade de dirigir e tentar me localizar nesta que é a capital do Chile. Santiago para mim é uma cidade peculiar, cercada por altas montanhas, e com traçado quadricular típico de cidades espanholas. Suas longas avenidas cruzam a cidade de Norte a Sul ou de Oriente a Poniente. A Santiago de minha infância está localizada na Vila Frei, um bairro de casas que parecem pré-moldadas e ruas estreitas em Ñuñoa, comuna no setor Oriente de Santiago, era lá onde eu ficava, na casa de meus tios, por uma semana antes de regressar ao Brasil. Até então não sabia ao certo como chegar até lá, mas me aprece que sempre soube que ficava próxima a Avenida Grécia. Minha família ainda mora em Ñuñoa, não mais meus tios que se mudaram pra outra cidade, mas meus primos, irmão e meu Pai que voltou há alguns anos para o Chile.

Santiago é uma cidade de negócios e uma ao mesmo tempo capital do governo chileno, no centro estão muitos edifícios públicos como o Palácio de la Moneda e a sede de diversos ministérios, além de Museus muito interessantes como o de Arte Pré Colombiana, de História Nacional e o Museu de História Natural, também estão lá o Mercado Central e seus restaurantes, que a mim não me atrai, pois me parecem demasiadamente para Turistas, e por que prefiro comer mariscos e peixes em Con Con ou Valparaíso. Para se locomover pelo transporte publico é preciso utilizar um cartão como do Bilhete Único, mas em Santiago não há cobradores nos ônibus e é impossível paga-los com dinheiro, então o cartão ou Tarjeta Bip são obrigatórios para quem deseja utilizar o sistema de Ônibus Transantiago, ao qual já me referi em outro post. Outro modo de se locomover é de carro, mas caso não conheçam bem a cidade aconselho o uso de um GPS, pois não há muita sinalização nas ruas.

O que gosto em Santiago são suas espaçosas calçadas, seus edifícios modernos e seus edifícios antigos, seus restaurantes de comida típica e sua "fuentes de soda" onde se pode comer ricos "Completos Italianos", Chacareros. Gosto também de poder ver a Cordilheira, principalmente quando esta está toda nevada, de subir no Cerro San Cristobal e de estar tão próximo de minha Família e raízes.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Homo Sapiens


Nossa espécie habita esse mundo há apenas 200 mil anos, digo apenas, pois nosso planeta já existe há 4,54 bilhões de anos, e nossa história fora das cavernas e savanas começa há irrisórios 10 mil anos, ou seja, nossos antepassados estiveram a maior parte do tempo coletando frutas, caçando, fugindo de predadores e se protegendo do frio antes que começassem realmente a produzir algo de cultura e civilização. Em 10 mil anos, dominamos o fogo, inventamos a roda, construímos e destruímos cidades e impérios, navegamos por todos os mares, chegamos aos pólos, aprendemos a utilizar a energia dos átomos e fomos ao espaço. Ainda assim nos sentimos indefesos perante a natureza tão mais velha e sabia que nós, não conseguimos ainda prever furacões, terremotos, maremotos e vulcões, não sabemos sequer quando um asteróide ou qualquer outro objeto do espaço poderá chegar e acabar com tudo o que conhecemos para sempre. Somos tão pequenos e indefesos perante as forças do planeta, que nem nossas armas mais potentes, ou nossos governos mais poderosos são capazes de algo para nos proteger desses perigos que constantemente nos ameaçam. Chaitén, Sinchuan, Mianmar, New Orleans e tantos outros lugares que somem ou mudam para sempre de uma hora para outra com a simples ação da mãe natureza. Mesmo São Paulo e Rio de Janeiro, cidades grandes e poderosas sentiram a poucos dias que tudo pode virar pó de uma hora para outra, mesmo que muitos não tenham se dado conta. Por isso creio que o melhor da vida é curti-la aqui e agora, pois o único que temos certo é o momento que vivemos então sejamos felizes, façamos aos que estão em nossa volta felizes e vivamos a vida sem levá-la tão a serio, sem que nos prendamos a pequenos detalhes, coisas pequenas que são insignificantes diante do milagre de nossas vidas e mais ainda nos bilhões de anos que já se passaram desde o inicio e que ainda virão até o fim.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Ruta del Vino



Nada como um dia no campo degustando vinhos e passeando a cavalo. A "Ruta del Vino" é um excelente passeio para quem vem ao Chile e gosta de boa mesa, principalmente vinhos, e haja fígado para todo o álcool que se consome aí. Há diversos tipos de vinhos produzidos no Chile, desde o Carmenere, vinho redescoberto no Chile em 1994, ao Malbec, vinho tradicionalmente transandino, mas que no Chile é de sabor mais forte. Nós nos dedicamos 1 dia a essa missão, e acabamos como sempre aprendendo muito, e com certeza esse foi um passeio que valeu muito a pena. Pimeiro almoçamos no restaurante interno de uma vinha, como tinha que ser, pedimos um dos vinhos top da casa, que era um Malbec premium, o garcom que o indicou disse que se não gostássemos ele pagava a garrafa, estava seguro que não corria esse risco, pois o vinho e esplêndido. De sabor forte e marcante e quase negro de tão escuro, essa cepa é ideal para acompanhar carnes, não é a toa que é Tao apreciado e cultivado no vizinho país platino. Após essa experiência gastro-enóloga, fomos conhecer a vinha e o processo de fabricação desta dádiva de Baco. As uvas vinculas são cultivadas em solo seco, e crescem verticalmente, e não do modo de parreiras tradicionais, cobrindo o solo, este seria o caso para uvas de mesa, a serem consumidas como fruta ou para fazer suco. Mas o processo de fabricação de um vinho envolve muita tecnologia, e muita paciência, e hoje envolve muita engenharia de processos e sofisticados softwares de controle ao lado do conhecimento tradicional dos enólogos. Pudemos provar o vinho no meio do processo enquanto este não passa de um suco de uva alcoólico. Imagine que um bom vinho pode levar 3 anos entre ser colhido e chegar no mercado, e pode vir de vinheiras com mais de 50 ou até mesmo 100 anos de idade. Um vinho premium ou reserva pode ser estocado na garrafa por entre 3 e 10 anos período no qual deve ser consumido para que se tenha maior proveito de suas qualidades. Um bom vinho deve ser sempre arejado antes de ser bebido, para que este solte seu aroma e sabor e quem dele se serve sinta todo o ganho de um excelente vinho. Realmente saber consumir um vinho é uma arte.

terça-feira, 6 de maio de 2008

O Transantiago


O Polémico sistema de transporte da cidade de Santiago não nos pareceu tão ruim como a propaganda, na verdade até nos surpreendeu positivamente. Há mais de um ano estou sem carro e tenho sido usuário assíduo dos sistema de transportes públicos de duas cidades, Zurique e São Paulo. A primeira com seus 300 000 habitantes e a maior cidade da Suíça, possui um transporte exemplar, e não a toa é a cidade com a melhor qualidade de vida do mundo, os trans, trens, troleys e ónibus sempre na hora prevista, sinalização que torna fácil a sua utilização, mesmo porque não domina a língua alemã. E Sampa com seus 10 milhões de habitantes, uma das maiores cidades do mundo, com seus ónibus pouco eficientes, presos no transito caótico da maior metrópole sul americana. A partir desses dois patamares posso avaliar então o Transantiago. Bom, não eh a tranquilidade da pequena grande cidade, mas ao mesmo tempo não eh o terror e caos da capital Paulista, então a final como e o transporte publico da capital chilena? Eh um sistema pensado nos moldes europeus, com linhas que devem ser usadas de forma integradas, não se paga a passagem por viagem, mas pelo tempo de uso. não há catrácas o que torna o tempo de embarque mais rápido e de modo geral os motoristas respeitam os paradeiro. Mas ainda deixa muito a desejar quando os quesitos são sinalização, pois nos ónibus não há a indicação do trajeto a ser percorrido nem possíveis integrações, também os pontos são pouco informativos, e pelo que me foi contado, há pouca capilaridade do sistema em bairros mais periféricos, alem da falta de expressos para atender as regiões mais distantes. Porém a integração com o metro funciona perfeitamente e ao contrario de São Paulo, nada e pago a mais por utilizar-se os trens a não ser no horário de Rush quando uma pequena diferença eh cobrada. Os ónibus também aparecem em intervalos curtos, e se movem relativamente rápidos pelo transito da cidade, mesmo nos piores horários. De fato há muitos problemas a serem resolvidos pelo novo sistema de transportes da capital chilena, mas ele esta na direção correta e eh possível prever que em 10 anos mais poderá se tornar um exemplo para outras cidades latino americanas de porte similar.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Si vas para Chile...



Um feriado regado a muito vinho, empanadas, mariscos e "otras exquisiteces chilenas". Chegando em Solo chileno após uma breve escala no Rio de Janeiro, fomos quase diretamente a casa de meu tio em el Retuco na região de Quilpué. Como de costume fomos recebidos com um delicioso assado, preparado a velha maneira Chilena. Havia Cerdo, vacuno y costillar, e na mesa como sempre não faltaram temas polémicos a serem debatidos por todos os Solís presentes. Para mim estar no Chile é sempre algo especial, é como se pudesse reviver momentos perdidos no passado, de alguma forma toda minha vida esta ligada a essa estreita e comprida faixa de terra entre os Andes e o Pacifico. E tudo aqui tem mudado muito desde que era pequeno, mas algo que essencial segue vivo no ar. É bom comer Locos, Machas a la parmesana, Congrio, Arrollado e Hallulla com Palta. Vir ao Chile é não somente passear com as pernas e olhos, mas também com a boca e estômago, pois sempre há muito o que degustar. O tempo é curto e estomago e figado limitados.

terça-feira, 29 de abril de 2008

Aproveitando as ofertas da vida


Existe uma piada que é mais ou menos a seguinte:
Um brasileiro, um argentino e um português estavam havia horas perdidos no meio do deserto do Saara, já não sabiam ao certo o rumo a tomar baixo o sol escaldante, quando encontram uma lâmpada mágica. O brasileiro esfrega a lâmpada e de dentro desta surge um Gênio, que concede a cada um um pedido. O brasileiro por ter sido quem encontrou a lâmpada é o primeiro, e pede que, por favor, o Gênio o enviasse imediatamente a uma praia do Rio de Janeiro onde poderia se refrescar no mar, beber cerveja e observar as belas mulheres na praia. Em seguida o argentino faz seu pedido, que é ser enviado imediatamente a Buenos Aires, onde poderá beber um Mate para refrescar-se e "Bailar un Tango" com uma bela portenha. O Português então se viu sozinho naquele deserto e sentiu falta de seus dois companheiros e por isso pediu ao gênio que os trouxesse de volta. Desejo que foi prontamente atendido e novamente estavam juntos os três perdidos no deserto.
Na vida varias vezes nos deparamos em situações complicadas, difíceis de lidar e também diversas outras vezes surgem interessantes oportunidades e caminhos distintos a serem seguidos, estamos sempre tomando decisões. A conseqüência natural disso é que algumas vezes tomamos a melhor decisão e outras em outras a menos conveniente, o engraçado é que nem sempre temos como avaliar isso no momento da decisão, pois não conhecemos muitas variáveis que podem ter impacto sobre o caminho tomado, basicamente não conhecemos o futuro. Algumas pessoas lidam perfeitamente bem com isso e procuram responder de forma coerente às ofertas que a vida apresenta, sabendo também suportar e entender que muito do que virá é fruto de uma decisão tomada há algum tempo atrás. Já outras pessoas não sabem lidar bem com isso, e procuram sempre culpar outros por seus problemas atuais. No momento de um revés devemos primeiramente tentar entender que ações nos levaram a esse prejuízo, ao entendê-las será possível tentar evitar que essas falhas tornem a se repetir, essa é uma forma de amadurecermos e tirarmos algo de bom do que passou. Mesmo de conquistas é importante tirar lições para que seja possível então repeti-las novamente ou mesmo entender por que não será possível repeti-la novamente.